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Nesse final de semana, ocorreu a Festa do Divino aqui em Piracicaba. À bem da verdade, deveríamos dizer que concluiu-se a festa porque ela começa com atividades de cunho religioso e culmina com essa verdadeira confluência entre o sagrado e o profano que é o evento de dois dias à margem do rio.
Era voz corrente que a festa, depois de dois anos sem ser feita por conta da pandemia, fez falta. Eu, mesmo não sendo religioso,posso dizer que senti falta de pegar a minha câmera e fazer fotos para, na visão pretensiosa que nunca me faltou, "documentar essa tradição da cidade". Seria mesmo isso ou , talvez, a oportunidade de encontrarmos amigos fotógrafos e outros conhecidos? Talvez tudo isso.
Para que não conhece, a festa ocupa a avenida que margeia o rio e , lá há uma série de barraquinhas que vendem comes e bebes e também locais de "jogos" tradicionais como pescaria, tiro ao alvo, entre outros.
Há também o que podemos chamar de uma "zona mista", o Largo dos Pescadores, que, por também ter bares, é conhecido á boca pequena como "Largo dos Pecadores". Atentando mais à face que nos redime, esse local, uma praça cercada por vias de bloco intertravado, um bar ao lado em uma casa ainda verde e branco onde ficam dispostas as mesas para servir aos "pecadores" , tem ao fundo uma capela e um salão de festas em estilo clássico, pintado das cores do Divino, vermelho e branco.
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| Largo dos Pescadores - Piracicaba/SP (Foto: José BV Libório) |
Na rua ao lado da Capela, arma-se um palco que, na verdade, é o altar onde ocorrerá a missa, afinal, essa é uma festa religiosa. Antes dela, eventos marcantes acontecem: a Congada, essa colorida e musicalmente maravilhosa manifestação sincrética da África com a cultura ibérica , a procissão do Divino Espírito Santo e o encontro de barcos, esses mesmos que foram "derrubados" na semana anterior e a subida do mastro com a bandeira do Divino que ficará o resto do ano ali.
Nesse mesmo espaço, o da praça em frente à capela, há uma verdadeira fartura de comidas e bebidas: chopp, leitoa, pastel, espetinhos e o famos cuzcuz do Divino, uma iguaria que todos deveriam experimentar uma vez na vida.
Essa confluência do sagrado e do profano , no último sábado, gerou um evento que, confesso, nunca vi antes. Tendo em vista que entraram os andores de Nossa Senhora Aparecida, São Benedito (salve, padrinho) e do próprio Divino Espírito Santo sem que a mastigação e a bebedeira cessassem, o padre responsável tomou a palavra e advertiu:
- Oh, gente! Agora é hora da missa! Vamos parar de comer, beber, aliás, beber água pode e vamos prestar atenção.
Confesso não ter tomado nota e nem sei se exatamente foram essas as palavras mas o espírito está mantido. Entre risos, pensei que dada minha estrita educação católica, eu já teria parado de comer e beber naquele momento.
Restou uma pergunta íntima: o que estamos buscando nessas festas que fazem confluir o sagrado e o profano? Alívio para a alma ou o excesso mundano tendo como pretexto o alívio imediato que um verdeiro abuso gastronômico nos dá? Não sei dizer.
Fato é que para mim valeu por encontrar amigos, fazer fotos à moda antiga com meus rolinhos de filme e particpar de algo dos dois mundos incluídos na festa sacro-profana.
Protegei-nos, Divino Espírito Santo! Boa semana para todos!
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